
Participar da Rede ColaboraAPS fortalece experiências e amplia aprendizados

Por: Manoelli Santos
A Atenção Primária à Saúde (APS) é considerada uma peça importante para o cuidado integral no Sistema Único de Saúde (SUS). Ao longo da história da saúde pública brasileira, experiências exitosas desenvolvidas nos territórios têm demonstrado que o SUS é possível e capaz de transformar realidades por meio do cuidado e inovação. Essas práticas fortalecem o atendimento à população e inspiram novas estratégias de atuação no cotidiano do cuidado.
É nesse contexto de fortalecimento da APS e valorização das práticas inovadoras que surge a Rede Colaborativa de Inovações em Atenção Primária à Saúde, ColaboraAPS. A iniciativa nasce da compreensão de que a diversidade dos territórios brasileiros produz experiências capazes de apontar caminhos para o aprimoramento do cuidado em saúde e das políticas públicas. Ao mesmo tempo, reconhece os desafios estruturais, operacionais e de gestão enfrentados pelo SUS, reforçando a importância de dar visibilidade às iniciativas que fazem diferença no cotidiano da Atenção Primária.
A Rede funciona como um dispositivo de cooperação voltado ao fortalecimento, aprimoramento e disseminação de experiências inovadoras na APS. Baseada em processos de cooperação horizontal e aprendizagem colaborativa, a iniciativa promove trocas entre territórios, fortalece a produção de conhecimento e amplia a visibilidade de práticas que geram impactos nos serviços, na gestão, no trabalho em saúde e, principalmente, na vida das pessoas. É coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, em parceria com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde.
Essa participação tem se consolidado como uma experiência transformadora para equipes gestoras, trabalhadores, pesquisadores e colaboradores da saúde pública em todo o Brasil. Como um espaço de compartilhamento de iniciativas, a Rede promove encontros, intercâmbios e processos colaborativos que, ao dialogarem com referências nacionais e internacionais, fortalecem práticas desenvolvidas nos territórios. Entre os principais benefícios apontados pelos participantes está a possibilidade de conhecer experiências inovadoras desenvolvidas em diferentes municípios e estados do país. O contato com outras realidades territoriais permite ampliar perspectivas e repensar processos de trabalho no território.
Para Sheila Freire, participante da equipe gestora, participar da Rede ColaboraAPS “foi um imenso privilégio e uma grande oportunidade de desenvolvimento profissional e pessoal”, marcada pela intensa troca de saberes e pelo compartilhamento de experiências entre os participantes. Segundo ela, desde o I Encontro Nacional até as visitas de intercâmbio e os momentos de apresentação dos webdocs, a experiência possibilitou importantes conexões e aprendizados. “A partir desse percurso foi possível ampliar a visibilidade e o alcance das ações desenvolvidas, aproximar profissionais, serviços e instituições, participar da elaboração de soluções e estratégias, de maneira coletiva, para a melhoria do cuidado em saúde, compartilhar boas práticas, além de firmar parcerias e, porque não, criar e fortalecer amizades”, afirma.
Outro aspecto constantemente destacado pelos participantes é a visibilidade proporcionada às experiências desenvolvidas nos territórios. Muitas práticas inovadoras realizadas na gestão da Atenção Primária acontecem de forma isolada e, em diversos casos, permanecem invisíveis dentro dos próprios municípios e estados. Nesse contexto, a Rede ColaboraAPS atua como um espaço de reconhecimento dessas iniciativas.
Para Thais Severino, membro da equipe da coordenação nacional, um dos principais diferenciais da Rede é justamente identificar e dar visibilidade às experiências construídas nos territórios. Segundo ela, o trabalho desenvolvido na Atenção Primária muitas vezes exige coragem, inovação e enfrentamento diário de desafios relacionados às necessidades da população. “No momento em que a gente identifica as experiências, esse trabalho que muitas vezes estava invisível termina sendo visto. Isso tem se mostrado como um grande potencializador da felicidade das pessoas dentro da Rede, porque elas voltam a ter orgulho pelo que estão fazendo e passam a receber reconhecimento dos colegas, dos gestores, da população, do Ministério da Saúde e da Fiocruz”, destaca.
Além do reconhecimento profissional, a participação no ColaboraAPS fortalece processos formativos e estimula a aprendizagem colaborativa. A iniciativa promove debates qualificados, atividades de formação e intercâmbio de experiências que ajudam a qualificar as práticas desenvolvidas nos territórios e fortalecer o cuidado em rede. Outro ponto ressaltado pelos participantes é a construção de vínculos afetivos e colaborativos entre profissionais de diferentes regiões do país. A iniciativa cria espaços de acolhimento, escuta e diálogo, nos quais é possível compartilhar desafios cotidianos, trocar soluções e construir estratégias coletivamente.
Thais explica que o intercâmbio entre territórios é uma das experiências mais transformadoras proporcionadas pela Rede. As visitas presenciais permitem conhecer de perto diferentes realidades do SUS, compreender como outras redes de saúde se organizam e trocar experiências diretamente com profissionais que enfrentam desafios semelhantes. “Poder estar no chão onde o outro pisa, ver como o outro funciona, como aquela rede se organiza e conhecer outras culturas faz muita diferença. A Rede ColaboraAPS nos dá uma injeção de inspiração, orgulho e reconexão com o SUS”, ressalta.
Para Eduardo Melo, coordenador-geral da Rede ColaboraAPS e vice-diretor da Escola de Governo em Saúde (ENSP/Fiocruz), participar da Rede também significa ampliar horizontes e fortalecer experiências por meio da colaboração e do intercâmbio entre territórios. Segundo ele, “participar da Rede ColaboraAPS permite dar visibilidade à sua experiência, visitar e ser visitado por outras experiências, obter aportes técnicos atuais para o aprimoramento das práticas e ter contato com a política nacional e com iniciativas internacionais, tudo isso num processo marcado por dinâmicas colaborativas”.
Ao reunir experiências de diferentes regiões do Brasil, a Rede ColaboraAPS amplia o aprendizado coletivo. Nesse contexto, a chamada pública para o segundo ciclo da Rede representa uma nova oportunidade para que experiências inovadoras desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde ganhem visibilidade nacional.
As inscrições para o segundo ciclo seguem abertas até o dia 9 de junho e são destinadas a gestores, trabalhadores, equipes de saúde, pesquisadores e iniciativas ligadas à Atenção Primária em todo o Brasil. A proposta é selecionar experiências que demonstrem inovação, impacto nos territórios, fortalecimento do cuidado em saúde e potencial de compartilhamento com outras regiões do país.
Além da visibilidade nacional, os participantes selecionados poderão integrar processos de intercâmbio, atividades formativas, encontros colaborativos e espaços de construção coletiva promovidos pela Rede. A iniciativa também possibilita aproximação com outras experiências inovadoras, fortalecimento de redes de cooperação e acesso a aportes técnicos voltados ao aprimoramento das práticas desenvolvidas nos territórios.
Em um cenário marcado por desafios constantes para a saúde pública, a chamada pública do ColaboraAPS busca fortalecer iniciativas capazes de demonstrar, na prática, a potência do SUS e da Atenção Primária à Saúde como ferramentas fundamentais para a promoção do cuidado e da qualidade de vida da população.
A chamada pública e o formulário de inscrição estão disponíveis aqui no site da Rede ColaboraAPS: Aberta a inscrição para seleção de experiências para o 2º ciclo da Rede ColaboraAPS – Colabora
